quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Uma longa viagem

Olá! Estou criando esse blog com o intuito de discutir vários temas relevantes, culinária, TV, cotidiano, universidade, RPG, filmes, entre outros temas.
Para facilitar a compreensão desse primeiro post eu recomendo que a leitura de Revolução dos Bichos tenha sido feita previamente. Muito embora eu acredite que todos compreenderão a mensagem principal desta primeira postagem.
Era uma bela manhã de terça-feira quando as ovelhas começaram a se agitar, disseram a elas que o líder do rebanho não pertencia mais a esse mundo. A notícia causara espanto em todo o campo. O carneiro que partiu era respeitado e querido por todos os outros animais daquelas redondezas.
Esse carneiro era mais sábio do que os outros animas, adorava fazer seu cigarro enquanto ajeitava seu longo chapéu preto. Enquanto fumava, esse nobre carneiro transmitia mensagens de sabedoria para os outros animais. Em um belo dia desses enquanto apressiava seu cigarro, nosso querido animal dissera que fumava desde sua juventude, uma das ovelhas mais jovens questionava quanto a isso. "Como assim, vovô? Sua mãe deixava o senhor fumar?". Com uma grande risada Vovô (como era conhecido o nosso carneiro) respondera que não, mas já tinha fumado escondido algumas vezes quando sua mãe não estava por perto.
Vovô adorava contar histórias para seus netos, e uma das histórias favoritas de todos é de como ele conhecera sua companheira, parecia algo tão inacreditável a maneira como ele contava as histórias que muitas vezes até acreditavam que ele sempre foi velho, pois nenhuma das ovelhas mais jovens o viu antes desse belíssimo animal completar 70 meses.
A vida era calma e agradável na cidade, porém em um belo dia Vovô tinha sido acometido de uma grande doença. A Doutora Coruja disse que era resultado do fumo, mas Vovô era bastante teimoso com relação a este aspecto, disse que iria continuar fumando enquanto restasse vida para ele e ainda contava uma piadinha de que acenderia um cigarro no seu enterro "acenderia na vela de 7° dia". Todos riam das aventuras de Vovô, mas o tempo foi passando e sua vida foi se tornando cada vez mais ameaçada...Pouco tempo depois nosso carneiro não usava mais seu velho chapéu, nem conseguia mais fumar, apenas gemia deitado em um vasto jardim com flores falantes. As flores diziam entre elas que a partida de Vovô estava muito próxima, pois ele não conseguia nem se levantar.
Pouco tempo depois, a teoria das flores falantes se confirmara, Vovô depois de resistir por muito tempo partiu desse mundo "encantador".
No dia de sua partida, sua pequena casa de palha fora invadida por porcos, urubus, a Doutora Coruja foi se despedir e um burro chamado Roger visitara Vovô durante a noite. Roger chorava tanto por dentro, mas preferia não demonstrar que estava mal e preferia ficar quieto em um canto escuro lembrando-se de seus pequenos roubos, Roger roubava uvas da videira de Vovô, mas nunca havia sido advertido por tal delito, afinal nosso carneiro era mais adorável das criaturas.
No dia de seu funeral todos se reuniram, as ovelhas, os burros, os porcos apareceram também e os urubus que não podem ouvir falar de bicho morto.
Foi uma "festa" incrível. Todos os porcos desfilavam de belos ternos, falavam de um futuro melhor após a eleição para representante do sítio, e no final parecia mais um comício de porcos. Vovô nunca fora atendido por tantos porcos ao mesmo tempo, mas dessa vez, apenas dessa vez, os porcos marcaram presença com seu ar repugnante.
OS porcos prometeram tudo (como de costume), mas na prática se viu uma guerra de vaidades, queriam ver quem podia mais e fizeram questão de carregar o grande caixão até o cemitério local. No cemitério alguns porcos "derrubaram" algumas lágrimas em troca de uns votinhos a mais, enquanto a família sentia uma dor grande no coração pela partida de Vovô.
Quando o sepultamento foi concluído, uma ovelha mais jovem conseguiu ouvir a conversa de dois porcos.
Porco Galego: "Vou ser o candidato a prefeito desse sítio em breve."
Porco Dema: "Que bom! Espero ser seu vice-prefeito, nobre camarada"
"Que tal nos reunirmos para discutir algumas coisas?"
Porco Galego: "Hoje eu não posso, tenho que assistir ao BBB7, acho que a Siri vai ficar com o Caranguejo."
Porco Dema: "É verdade, meu camarada!"
Pouco tempo depois o cemitério estava vazio, e enquanto todas as ovelhas choravam desesperadas, os porcos discutiam sobre sua vida cheia de compromissos e sobre o BBB7.
Talvez os porcos tenham representado toda "dor" que eles realmente sentiam pela partida de Vovô.
Dizem que as ovelhas ainda choram por escondidas por aí, enquanto os porcos...BEm eles assistem TV e decidem o nosso medíocre destino.

Dedico esse post para meu querido avô Renato.
"Minhas lágrimas não foram suficientes para trazê-lo de volta a vida, mas elas geraram a mais bela das cataratas para que possamos nos reencontrar."
Sentirei mbastante a sua falta, Vovô.

Um comentário:

Italo disse...

Pô, cara, não sei nem o que dizer. Uma ferida dessas é muito profunda, demora a sarar e deixa uma cicatriz feia. Você sabe que tem meu apoio, infelizmente o que posso te oferecer é "apenas" o "anti-séptico" da minha amizade.
Fica bem, amigo.